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Tecnologia

Geração de energia elétrica através de centrais nucleares: é segura?

Autor: JORGE FLOQUET

Geração de energia elétrica por central nuclear: é segura?

A obtenção da energia elétrica através da fissão nuclear, do ponto de vista da engenharia, é uma tecnologia simples e extremamente factível e, por isso, existem mais de 400 centrais nucleares espalhadas no mundo. Como tudo que diz respeito à engenharia, esta tecnologia tem que seguir protocolos e procedimentos rigorosíssimos porque, senão, mata. E mata aos milhares em curto, médio e longo prazo.

Por detrás da tecnologia nuclear existem interesses fortíssimos além da sua economicidade. Nenhum governo tem interesse de não fazer parte do entendimento completo do ciclo nuclear. É uma questão de Estado! A fissão nuclear de um átomo pesado, por exemplo, urânio 235 produzirá, dentre outras ocorrências, energia térmica que por sua vez aquecerá a água transformando-a em vapor supersaturado/energia cinética que irá movimentar turbinas que são ligadas a geradores elétricos para as linhas de transmissão públicas e parte residual autoalimentando eletricamente as bombas de refrigeração dos reatores. Existem geradores de eletricidade, a base de queima de combustíveis fósseis, que alimentarão as bombas elétricas de refrigeração dos reatores, caso ocorra falha na autoalimentação. É desta forma que a física nuclear e a engenharia multidisciplinar entram no contexto.

Do ponto de vista da engenharia, se faz necessário a severa obediência aos protocolos de confiabilidade de toda a cadeia produtiva. Engenharia dos materiais, redundância de sistemas estruturais, mecânicos, eletroeletrônicos e gestão ambiental do processo. Não podem falhar! Tomemos como exemplo o automóvel que superaquece, caso ocorra um problema de refrigeração por falta de qualidade de componentes, avaria, manutenção ou falta d'água de refrigeração no seu radiador fazendo com que o seu motorista simplesmente encoste, acionando assistência técnica com prejuízos somente materiais e econômicos. O superaquecimento de um reator nuclear, danificando-o e expondo a radiação que estava confinada, há centenas de quilômetros de distância, matando, contaminando o ambiente e/ou provocando a evacuação de milhares ou milhões de pessoas, é um flagelo. Um caos total! Manchando a capacidade tecnológica de um país, neste caso Japão. Posso dizer, através de colaboração em vários empreendimentos nacionais e estrangeiros que a engenharia nacional está num estágio diferenciado em relação a alguns países desenvolvidos, pois cumpre, rigorosamente, as últimas revisões das normas vigentes nacionais ou internacionais. Todavia, quando uma falta de compromisso ocorre desde o processo de fabricação de um simples parafuso, do serviço da sua fixação ou sistêmico, visando lucro, em detrimento da segurança ambiental, individual ou coletiva, a qualquer momento poderá acontecer uma grande catástrofe como esta de Fukushima, Japão-2011. Mesmo que haja certo nível de segurança. É preciso e necessário que sejam projetados vários níveis de segurança juntos fazendo com que a radiação não migre para o meio ambiente. É o que chamamos, na engenharia, de redundância de níveis de segurança ou, popularmente, fatores de segurança múltiplos. Existe perigo de Tsunamy? Então, deverá existir um sistema específico para monitoração e proteção de Tsunamy. Existe processo de fissão nuclear com intertravamento dos reatores, rapidamente, parando a atividade do reator dentro das normas rigorosas de segurança, sem falha humana? Tem que ser projetado e adotado o sistema. Não é difícil! Não é caro e, mesmo sendo caro, não pagaria a vida de um animal que estivesse vagando nas imediações ou de um vegetal cultivado a distância, pois este, certamente, iria contaminar um ser humano e isto não tem preço!

Claro, os fenômenos da natureza, como Terremoto, Tsunamy e tempestade interferem bastante num acidente nuclear e, a depender da velocidade e intensidade, podem ser fatais. Mas, existem procedimentos rigorosíssimos de projetos através de modelagem e simuladores que podem servir de base para projetos redundantes como, por exemplo, a energia elétrica que alimenta as bombas de refrigeração do reator é um ponto crítico de observação e é passivo até mesmo operar sob determinado volume de água, já existe tecnologia para isso. É notório!

Então, tomando como referência os terremotos que sempre acontecem no arquipélago nipônico, à exemplo do que aconteceu na cidade de Kobe quando foi atingida por um terremoto de 7.2 graus na Escala Richter em 17 de janeiro de 1995, e, levando em consideração que o povo japonês é metódico, também, na busca por tecnologia, o que podemos dizer dessa tragédia anunciada? A engenharia japonesa não cumpriu com os requisitos de segurança sistêmica e infringiu normais de engenharia. Falhou e falhou criminosamente desde a fase de projeto da central nuclear de Fukushima até a sua operação em 11 de março de 2011! Resultado: Caos total e dúvida quanto à capacidade da engenharia japonesa frente ao processo de geração de energia elétrica através de centrais nucleares! Abrangência do prejuízo incalculável, pois as suas consequências pode alcançar décadas. Demonstrando que iniciativa privada não tem condição e nem competência para gerir catástrofes dessa escala e, dessa forma, a geração de energia elétrica, através de centrais nucleares, tem que ser da competência do governo federal. É fato!

http://www.artigonal.com/seguranca-artigos/geracao-de-energia-eletrica-atraves-de-centrais-nucleares-e-segura-4520358.html

Perfil do Autor

Engenheiro e Pesquisador.



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