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Riscos na gestação

Por Fábio Reynol

Uma dieta com elevado consumo de sal durante a gestação poderá gerar indivíduos que, na idade adulta, terão hipertensão arterial. Por outro lado, se o consumo de sal durante a gravidez for baixo, o problema pode ser o desenvolvimento de resistência à insulina.

Esses são alguns dos resultados obtidos em estudos feitos com ratos pela equipe do professor Joel Claudio Heimann, livre-docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), que investiga os efeitos das alterações no ambiente perinatal, que engloba o período gestacional até o final da lactação.

"É importante frisar que esses resultados não significam necessariamente o aumento da mortalidade dos ratos na idade adulta", disse Heimann, salientando também que a pesquisa não pode ser extrapolada para humanos sem estudos adicionais de validação dos resultados no homem.

Mesmo assim, o trabalho vem produzindo dados importantes sobre o papel do sal durante o período gestacional. Por exemplo, a dieta hipossódica, com restrição de sal, levou à formação de animais que, na idade adulta, apresentaram excesso de colesterol (hipercolesterolemia).

Esses mesmos animais também apresentaram maior resistência à insulina. "Isso significa que eles precisam de mais insulina para manter os níveis normais de açúcar no sangue", explicou Heimann.

Outro efeito curioso observado é que as fêmeas – mas não os machos – das proles de mães que consumiram dieta com pouco sal durante a gestação e amamentação desenvolveram obesidade na idade adulta.

Os mecanismos responsáveis por qualquer caso de obesidade podem ser a maior ingestão de alimentos com conteúdo calórico elevado, o menor gasto energético decorrente de sedentarismo ou peculiaridades do metabolismo (como o hipotiroidismo) ou o conjunto dos mecanismos.

"No nosso estudo, o primeiro fator foi excluído. As fêmeas obesas não ingeriram mais ração do que o grupo controle – prole de mães alimentadas com ração com conteúdo normal de sal durante o período perinatal. Em conclusão, restou a hipótese do menor gasto energético", disse.

Outra linha de estudo abordada no Projeto Temático analisa alterações na prole de mães com hiper ou hipotiroidismo durante a gestação. Coordenado pela professora Maria Luiza Morais Barreto de Chaves, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, o estudo descobriu que filhotes de mães que sofrem de hipertiroidismo nascem com baixo peso.

Heimann lembra que o nascimento abaixo do peso pode ser indicativo de complicações na idade adulta. Esse problema foi apontado pela primeira vez pelo epidemiologista inglês David J.P. Barker, criador da hipótese do fenótipo econômico segundo a qual mães que sofrem restrições na alimentação durante a gestação produzem filhos menores de forma a adaptá-los às condições de escassez do ambiente.




Fonte: Revista Pesquisa FAPESP - www.agencia.fapesp.br
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