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         Psicólogas - Cláudia Valente e Teresa Dora

       Especiais:

          Adriano Manques
          Celeste Matos
          Gisele Reche
          Cláudia Valente
          Teresa Dora
          Simoni França

          
   
Malmequer… Bem-me-quer… saiba perceber e perdoar!

"Durante o namoro tudo era perfeito… fazíamos tudo a dois! Dividíamos, partilhávamos, riamos de nós, dos outros e com os outros. Ele era o meu Rei e eu a sua princesa com potencial para ascender a rainha.

Fase doce, perfeita e inocente…

Ouvia falar de violência doméstica! Violência silenciosa que poderia ter inicio na fase de namoro e era cega aos olhos de quem AMAVA.

Relativizava, dizendo:
- Isso são coisas que só acontecem aos outros!
- Se fosse comigo era ele quem apanhava!
- Só acontece às crentes!
- (…).

Contudo a minha história, que aos meus olhos tinha tudo para dar certo, foi mais uma história com um final infeliz…"


Por incrível que pareça trata-se de relatos de uma bonita história de amor que, tal como muitas outras, não terminou bem.

Ouvimos, conhecemos e damos opiniões, na certeza de que é uma realidade que não nos afectará.

Nem sempre a violência doméstica começa depois do casamento. Nem sempre os sinais de violência se confundem com empurrões, estalos, tareias e murros.

São várias as técnicas utilizadas pelos potenciais agressores. Deixamos aqui algumas, como sinais de alerta, aos quais deve estar atenta(o), se as souber reconhecer, poderá evitar problemas maiores:

• Perante os amigos revela ser cuidadoso, atencioso e simpático, mas mal entra em casa muda drasticamente o humor. Fica mal disposto, sensível a comentários e ignora-a. ("Cala-te que só dizes porcarias!");

• Em casa chama-a à atenção para o descuido geral. Considera que não trabalha, não limpa, não sabe cozinhar e que passa mal a ferro. (Faz um favor à humanidade e desaparece!");

• Evidencia a sua superioridade dizendo que é o homem da casa e que lhe deve respeito. ("Tu és a maldição da minha vida!");

• Tece comentários provocadores às suas roupas, dizendo que parece um farrapo"… Refere que quem olha vê que nada faz além de comer. E assim começam as ameaças maiores… A destruição da sua auto-estima (Devias olhar-te no espelho!");

• Cria fantasmas na sua cabeça alegando que "Toda Gente" repara em si, na forma ridícula como fala, como anda, como come e como veste. ("Já viste que toda gente repara que não dizes nada de jeito?").

Recorrendo à técnica de "Toda Gente" está a fazer valer o seu suposto sentido de superioridade e de controlador/manipulador. A ideia é fazê-la sentir sozinha, pequenina, sem amigos e menos bonita. De modo a que só ele a possa ajudar.

Se olharmos para estes pequenos exemplos reparamos que estão cheios de contra sensos. Se ele quer que nos calemos porque insiste em nos dirigir a palavra? Porque nos provoca?

Se somos a maldição da sua vida porque é que ele não nos liberta? E assim se vê livre da cruz que diz ter de carregar.

Se ele é assim tão melhor do que nós, diz ser mais trabalhador, mais esperto, mais tudo, porque raio não encontrou ele uma mulher que considere à sua altura?

Pois bem, se calhar porque só nós é que fazemos dele este homem de forças. Só nós é que lhe damos o valor que ele considera reconhecido publicamente. Se calhar só se sente grande porque faz de nós objectos pequeninos.

Pare e Pense se vale a pena alimentar este ego perturbado? Saiba reconhecer que você tem valor. Saiba pedir ajuda e acima de tudo saiba perceber que o agressor também precisa de ajuda e que a melhor forma de o fazer é denunciar a situação.

Contudo, se acredita que ele vai mudar, que o vai conseguir ajudar desengane-se, pois sem ajuda profissional a situação irá manter-se e até agravar-se.

Ficam algumas estratégias até que se sinta capaz de se ajudar a si:

• Analise tudo, seja frontal sem revelar medo.
• Evite discussões frente aos seus filhos, para que estes não fiquem ainda mais marcados pela vida.
• Evite discutir na posse de objectos cortantes, ou perto de objectos que a possam magoar, pois o agressor pode fazer da sua arma de defesa a arma de ataque dele.

Goste de si!

E acima de tudo saiba perdoar. O perdão é necessário, mas, acredite, o problema deverá ser enfrentado!

Um grande beijinho!

Cláudia e Tereza


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