DRAMAS CONJUGAIS


O casamento é visto como a união de duas pessoas com diferentes passados, diferentes percepções, diferentes desejos e expectativas que se preparam para viver em conjunto. Mas como é possível fundir dois seres humanos num só? Isto é, pode o ser humano passar a viver com estas diferenças?

Graças a estas diferenças é que os casais não aceitam a teoria de “Identidade Conjugal” e então nos deparamos com o aumento dos divórcios e de problemas mal resolvidos entre ambas as partes e que levam os filhos aos gabinetes de psicologia. Temos por um lado os pais, em que um deles se sente mais fragilizado e quer de novo a reconciliação e por outro lado, os filhos que confusos, com raiva, tristeza ou culpa, se fecham no seu mundo interior e sofrem em silêncio.

Temos de refletir que o casamento é uma construção presente, logicamente sem tirar peso ao passado e à história de vida dos parceiros. Mas muitas vezes os casais baseiam-se no passado de um deles para dramatizar a relação. Infelizmente os valores do individualismo, insensibilidade e falta de palavra estão muito presentes na nossa sociedade e o papel do casal consiste na união das suas diferenças em prol da amizade e do crescimento da relação conjugal. A emancipação da mulher e a sua autonomia é tida por muitos investigadores, como a responsável pelo aumento dos divórcios. O que se passa é que os casais não têm a paciência e a calma necessárias levando à falta de respeito um pelo outro, maltratando-se a eles próprios incluindo a própria família que muitas vezes sem qualquer culpa se vê incluída.

Por vezes chega-se a pensar no casamento como a solução de sua auto-realização. As expectativas perdem-se levando o casal a tomar a medida inevitável. É a melhor solução quando os seus membros não se sentem capazes de ultrapassar as suas dificuldades. As discussões e a consequente falta de respeito já fazem parte da rotina e tudo ao seu redor deixa de fazer sentido. Mas a separação é um momento muito doloroso e estressante, provocando sentimentos de dor, pânico, fracasso e perda, não podendo esquecer o luto que deve ser elaborado. A estes sentimentos temos ainda o dever de proteger os filhos, isto é, devemos deixa-los fora do conflito conjugal. Quem se separa é o par conjugal. Temos de ser inteligentes, sensíveis e responsáveis ao ponto de não excluir os filhos do nosso novo patamar de organização, pois a vida continua esperando ser da melhor maneira.

O laço conjugal só se consegue manter se ambos forem capazes de proporcionar satisfações e respeito mútuo. Princípios como a autonomia, respeito, compreensão devem fazer parte de um casal preparado para um compromisso de profunda amizade e partilha.


Cláudia Valente & Teresa Dora



Voltar ao Topo

Voltar à Página Psicologia
© 2009/2010 Fotos & Fatos, Todos os direitos reservados.