"O RÓTULO QUE A DISLEXIA PODE TER EM MUITOS DOS NOSSOS ALUNOS"
Diversas vezes chegam ao nosso gabinete de psicologia e ao nosso espaço de apoio ao aluno, casos de alunos com diagnóstico de dislexia. Estes alunos, com 8 anos de idade sabem dizer perfeitamente “Eu tenho um problema, tenho dislexia”. Este termo, cada vez mais usado por todos, tem sido utilizado muitas vezes de uma forma pouco correcta e demasiadas vezes feita de uma forma exagerada.
Pensámos essencialmente que este tema deve ser reflectido por todos e que deverá sempre ter-se em atenção que deve sempre ser feito um diagnóstico o mais preciso possível, tendo em conta diversas metodologias.
Vamos então perceber o que é a dislexia, suas causas e seu diagnóstico.
Sendo assim, a dislexia é um distúrbio no domínio da capacidade de ler, mas temos de ter atenção que a dislexia não é tão simples quanto esta definição. A dislexia envolve dificuldades recorrentes e de forma consistente em processar a informação fundamentalmente de carácter fonológico, isto é, identificação, articulação e o uso dos diferentes sons da língua.
A Dislexia envolve: Inversão de letras na leitura e escrita; Omissão de palavras na leitura e escrita; Dificuldade em converter letras em sons e palavras; recuperar da memória sons e letras.
Existe uma grande controvérsia no que toca às suas causas, na medida em que ainda não existe um ponto de vista único para explicar as suas origens, apesar de existirem factos que sustentem a ideia de que a dislexia está intimamente ligada com um mau funcionamento de determinadas áreas do nosso cérebro que estão ligadas à área da linguagem. Investigadores de Harvard constataram que as células cerebrais de pessoas disléxicas, encontram-se organizadas de uma forma diferente quando comparadas com pessoas não disléxicas. Uma grande curiosidade é que na maior parte da população, a área da linguagem está situada no nosso hemisfério esquerdo e nas pessoas com dislexia é usualmente maior no hemisfério direito.
Deve-se sempre ter o cuidado no diagnóstico, de investigar a herança genética da criança, pois muitas vezes existe na família casos de dificuldades ao nível da leitura. Cada caso deve ser analisado com muita precaução para que o diagnóstico seja o mais preciso possível. Em muitos dos casos, a causa da dificuldade de leitura pode ter como subjacente problemas familiares, o divórcio dos pais, negligência, abuso ou a morte de um familiar próximo.
O seu diagnóstico deve ser bastante cuidadoso e só deve ser feito por especialistas. O professor tem um papel fundamental, pois é este que primeiro consegue detectar um provável problema na leitura do seu aluno e deve ser ele quem deve indicar para uma avaliação do problema ou conselhos de compensar, remediar ou eliminar determinados padrões de leitura Por parte do professor, existem métodos e testes que não requerem uma especialidade mas sim sensibilidade e que fornecem inúmeras informações no que toca às aptidões de leitura do seu aluno.
É fundamental uma intervenção com os pais das crianças com dislexia de modo a desmistificar esta problemática, quer ao nível de um apoio parental quer de informações, actividades e programas de ajuda.
Importa destacar que estas crianças são diversas vezes rotuladas junto dos seus colegas e por vezes junto dos familiares e é fundamental entender que esta situação pode afectar profundamente a auto-estima e o seu sofrimento que muitas das vezes é silencioso. Deverá sim promover sempre uma promoção dos seus pontos fortes, incentivando a realizar as suas acções sem medo de errar ou de agradar às figuras mais próximas.
Um aspecto a ter em linha da conta e que muitos profissionais não têm em atenção é que é praticamente impossível fazer uma avaliação precisa a uma criança do pré-escolar ou 1º ano. Nesta fase, não existem dados concretos nem podemos comparar o nível de leitura entre os colegas. Este diagnóstico não deverá ser feito antes do 3º ano de escolaridade, fase em que o aluno já deveria controlar a sua leitura com uma certa facilidade.
Será importante relembrarmo-nos sempre que quando se trabalha com uma criança disléxica, nunca devemos subestimar os seus trabalhos e o que ela é capaz de fazer, aliás todas as crianças precisam de ser apoiadas, inspiradas e respeitadas nos seus diferentes ritmos de aprendizagem.
Para a criança minimizar os pontos fracos, devem os pais, professores e técnicos fortalecer constantemente os seus pontos fortes. Nem sempre estamos atentos a isso, mas devemos estar sensíveis a estas situações que tanto afectam os nossos filhos e alunos.
Cláudia Valente & Teresa Dora
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